quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A gente


 
tem que morrer tantas vezes durante a vida que eu já tô ficando craque em ressurreição. Bobeu eu tô morrendo. Na minha extrema pulsão, na minha extrema unção, na minha extrema menção de acordar viva todo dia, há dores que eu sinceramente não resolvo, há nós que eu não dissolvo, e por isso me torno moribundo de doer daquele corte, do haver do sangramento forte, que vem no mesmo malote das coisas queridas, vem dentro dos amores. Há porradas que não tem saída. Outro dia, acabei de morrer.. A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida, ensaiar mil vezes a séria despedida. Eu já tô ficando especialista em renascimento. Hoje, praticamente eu morro quando quero. Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa, não tem aquela ansiedade para entrar em cena.



É uma espécie de venda, uma espécie de encomenda que a gente faz pra ter depois um produto com maior resistência. onde a gente se recolhe (e quem não assume, nega.) e fica feito a justiça: cega. Depois acorda bela, cora os cabelos, muda a maquiagem, reencontra os amigos que fazem a velha e merecida pergunta ao teu eu: "Onde você tava? tava sumida! morreu?" E a gente com aquela cara de fantasma moderno, de expersona falida: "Não, tava só deprimida."
 

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